Quando duas pessoas, numa relação tornam-se envaidecidas mutuamente, e têm absorvida toda a sua atenção. A razão fica então cega, o juízo fica subvertido. Os dois não se submetem a nenhuma advertência ou orientação, mas insistem em seguir o seu próprio caminho, apesar das consequências. O envaidecimento que os possui é como uma epidemia, ou alguma enfermidade contagiosa, que tem forçosamente de seguir o seu curso; e parece impossível detê-los. Pode ser que até haja quem veja e reconheça que esse casamento poderá no futuro resultar numa infelicidade para toda a vida.
Mas tudo o que essas pessoas de experiencia possam dizer, não tem efeito; são impotentes na tentativa de fazer mudar a decisão daqueles que tentam levar adiante os seus desejos. Aqueles que sentem um amor cego acham se completamente envaidecidos um com o outro e negligenciam os deveres da vida, como se fossem questões de pouca importância.Sob o feitiço desse amor cego, é sacrificado o bom nome da honra, e o casamento dessas pessoas não se realizam com a aprovação de Deus.
Casam-se porque a paixão os conduziu a isso, e passada a novidade do casamento, começam a reconhecer o que fizeram. Dentro de seis meses depois de feitos os votos, os sentimentos dos dois sofrem alteração. Depois de casado, cada um fica a conhecer melhor o carácter do companheiro escolhido. Cada qual descobre imperfeições que, durante a cegueira e loucura, não eram aparentes.
As promessas feitas no altar já não os prendem. Em consequência de casamentos precipitados, mesmo entre o povo de Deus, há separações, divórcios, e grande confusão na igreja. Quando já é tarde demais, descobrem que cometeram erro e puseram em perigo sua felicidade nesta vida, e a salvação da sua própria alma. Achavam que os outros não sabiam nada sobre o assunto; se, porém, tivessem aceitado os conselhos, poderiam ter-se poupado anos de ansiedade e tristezas.
A paixão leva essas pessoas a ultrapassar todas as barreiras que a razão e juízo lhes possam contrapor.
Pesem cada sentimento e observem todo o desenvolvimento de carácter na pessoa a quem pretendem ligar o destino da tua vida. Embora possam amar, não amem cegamente.


